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sexta-feira, 31 de maio de 2013

“...Marcha das Vadias, coisa só de Mulher Vadia, Puta, Piranha!” #SÓQUENÃO


(Uberaba Feminista na Marcha das Vadias de Uberlândia-MG)

Ao se deparar com uma marcha que tem o nome de VADIAS, muitas pessoas se assustam e se sentem ofendidas, mas será que a violência contra a mulher não te deixa assustado/a e ofendido/a também?? 

Algumas pessoas não querem nem argumentar contra e sim tirar sarro de um movimento que no qual nem a pessoa que critica sabe direito seu real significado.

Um tipo de diálogo comum sobre esta Marcha e comentários sempre feitos por serem dúvidas comuns entre as pessoas são como este a baixo:

- Bom, antes de criticar, você sabe o que é a Marcha das Vadias? Sabe o porquê dela existir?
- Não sei, só sei que o movimento feminista hoje não é como antigamente, hoje as mulheres querem ter o direito de ser chamadas de vadias!


Não está na hora de estudar um pouquinho mais? Aqui vai o histórico da Marcha das Vadias:
Tudo começou no Canadá quando aconteceu um estupro com uma universitária e autoridades começaram a dizer publicamente que as mulheres não deveriam vestir como vadias para não ser estupradas.
E o que é isso? Nada mais, nada menos que culpar as vítimas por ter sofrido um estupro, por usar determinadas roupas ou agir de determinada forma. Nós sabemos que ninguém pede pra ser estuprada/o, e que só é estupro quando uma das partes envolvidas não quer e é forçado a fazer, sabemos que o estupro é uma das piores formas de violência e que nada, NADA, justifica!
Essas declarações causaram muitas revoltas, e como forma de resposta surgiu a famosa “Slut Walk” ou “Marcha das Vadias”, para mostrar que vítimas não podem ser culpabilizadas e questionar nossa liberdade de ir e vir sem sofrer violência, além de denunciar a violência escondida dentro das tradicionais famílias, questionar a cultura patriarcal vigente e toda a vigilância do corpo e do comportamento sexual da mulher.
A intenção de usar esse nome forte “VADIAS” foi de dar novo significado ao termo que é usada pelo agressor para nos agredir, foi como roubar a palavra do agressor e dar voz aos oprimidos/as.

(Via: Blogueiras feministas na Marcha das Vadias)

Outra fala bem comum não só sobre o movimento feminista no geral, mas também da própria Marcha das Vadias é:

-Hoje em dia as mulheres vão com cartazes na Marcha das Vadias dizendo “vou no baile funk sem calcinha e a buceta continua sendo minha!” isso é um absurdo e não tem nada haver com feminismo!

Como diz em um blog que li a um tempo atrás “Pior que não poder votar, não poder trabalhar, não poder dar opinião, pior que tudo isso é não ter autonomia sobre seu próprio corpo” (Papo de Homem - Alex Castro).Ou seja do que adianta poder fazer um monte de coisa na nossa sociedade, se em todos os ambientes (em todos, onde estudamos, onde trabalhamos, onde caminhamos, onde nos divertimos...) as pessoas mesmo que inconscientemente acham que tem que controlar nossos corpos, nossa forma de dançar, de andar, de vestir, o que comer, como usar o cabelo, como pensar, como agir, com quem você pode ou não transar.
Nossos corpos, de fato, nos pertence? Temos autonomia sobre nosso corpo, sobre nossas atitudes? E daí se o palavreado for forte usado dentro da marcha das vadias, se a violência cotidiana não é vista como algo forte e feio também?


Outra fala muito constante de pessoas de fora sobre a Marcha é:

-Essas meninas vulgares só quer mostrar os peitos, agora é moda ser feminista por causa do FEMEN! Só quer pagar peitinho


Primeiramente, FEMEN não me representa, aliás, o FEMEN nem no Brasil tem filial mais, mas mesmo este movimento que se diz feminista estando dentro ou fora do nosso país, não representa o feminismo de fato devido a sua forma verticalizada de organizar o movimento, o movimento feminista deve ser horizontal, pela falta de esclarecimento sobre o movimento em si, do sexismo explicito que existe, e feminismo não é sexísimo, na excessiva personificação das integrantes do Femen, Feminismo não pode ser personificado, a causa dee ser o maior objetivo e não as pessoas, etc... Discordamos de muita coisa que o Femen faz, mas uma coisa é certa, elas não foram as primeiras nem as únicas a fazer topless como protesto! Tanto dentro ou fora do Feminismos, outras causas já usaram o protesto nú.

Nós não somos contra o topless como forma de protesto. E este ato tem um significado dentro da marcha das vadias.


O topless nada mais é que uma forma de romper com a forma que a imagem do corpo da mulher é vinculada na nossa sociedade -mercantilizada. Geralmente nos deparamos com corpos moldados de acordo com os padrões e feitos para que terceiros possam lucrar nas imagens desse corpo. Já o topless para o protesto (como na marcha das vadias) é feito no intuito de romper estereótipos, de tirar o sutiã NÃO para provocar prazer masculino, e sim para nosso próprio prazer, para dizer que há um espaço na sociedade que nos é negado, para dizer que mesmo desnudas, nada, NADA, justifica a invasão sobre nossos corpos, a violência, o estupro (o estupro não é movido apenas por pessoas loucas, existe uma cultura que as pessoas inconscientemente ou conscientes - acham que só porque uma mulher usa pouca roupa ela já se torna propriedade disponível da pessoa mais próxima).
O Topless não é uma obrigatoriedade dentro da marcha das vadias, faz quem quer, quem sente vontade e entende seu significado. 
                                              
Em Uberaba a Marcha está sendo organizada por um grupo de alunos do Curso de Serviço Social na UFTM, dentro de um cronograma acadêmico chamado ERESS. Segundo a organização da Marcha um dos principais objetivos regionais da Marcha das Vadias acontecer em Uberaba é ampliar o Centro de referência da Mulher que funciona apenas de segunda a sexta até as 17:00 horas da tarde, sendo que já está comprovado que os casos de violência contra a mulher em nossa cidade ocorre no período da noite nos dias de semana e nos finais de semana. Além do mais estão se mobilizando para pedir melhor preparação da polícia local para receber as mulheres vítimas de violência doméstica.

A Marcha das Vadias em Uberaba acontece dia 1 de Junho de 2013 às 9:30 horas da manhã, a saída será em frente ao Centro Educacional da UFTM na Rua Frei Paulino n°30 bairro Abadia e seguirá até a Praça Rui Barbosa no Centro.


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