Nos últimos dias, o país tem vivenciado uma série de protestos que pipocaram pelas capitais e diversas cidades do interior, a partir de São Paulo. O Movimento Passe Livre, que há mais de cinco anos vinha lutando por melhorias no transporte público bem como a universalização do acesso ao mesmo, não poderia imaginar que abriria caminho para uma das maiores manifestações na história recente do Brasil. A despeito de toda a brutalidade repressiva, milhares de jovens tomaram as ruas, ocupando um espaço que lhes é negado; a geração pós-90, ao contrário de todas expectativas negativas que comumente a caracterizava, parece enfim, ter mostrado a que veio. Os protestos, entretanto, denotam uma insatisfação latente com a política do país que não é recente. Nos últimos anos inclusive, inúmeras manifestações e marchas colocaram em pauta os direitos de negros, índios, mulheres, reforma agrária dentre outras reivindicações, nos dando sinais claros do que estava por vir. É no fim das contas, uma discussão acerca das violências que viemos sofrendo ao longo dos anos, que extrapolam, e muito, os limites da integridade física (sim, precisamos ressignificar o que entendemos por violência).
E os 20 centavos, onde ficam?
É evidente que, com uma intensa mobilização popular, diversas questões vem a baila, canalizando uma série de insatisfações. Contudo, é preciso cuidado ao diluir as causas que se reclamam, em detrimento de inúmeras pautas distintas. O contexto em que se gerou a rápida viralização dos protestos noa país, antes de tudo, reflete a necessidade de questionarmos a nossa própria democracia. Interpelar e evidenciar a violência de nossas polícias, questionar a tão propalada "liberdade" de imprensa e o quão públicos são de fato nossos espaços; e principalmente, discutir a nossa liberdade de manifestação. Se a Constituição Brasileira nos garante essa prerrogativa, como explicar essa afronta aos nossos direitos frente às constantes agressões e prisões injustificadas de manifestantes? Como explicar a postura vergonhosa de nossos governantes - muitos deles famosos por sofrerem frente ao autoritarismo ditatorial - que se calam e referendam tais abusos? Em um momento tão delicado e visceral de nossa democracia, tais questões pairam sem resposta definida. Ademais, são visíveis as tentativas de cooptar o movimento com a diluição de suas causas em conhecidos chavões como, por exemplo, o combate à corrupção (e aliás, teria alguém a favor?). "Dizer que protestamos contra tudo é dizer que protestamos contra nada."
E nós, feministas?
No meio de todo esse caldeirão, temos importantes propostas em tramitação na Câmara Federal, como a PEC 37 e o Estatuto do Nascituro. É de suma importância que, mais que apoio ao movimento que se insurge nacionalmente, não percamos tais questões de vista; que aproveitemos esse fértil momento para que paralelamente continuemos na luta nos manifestando contra tais arbitrariedades. Temos que unificar todas as lutas que envolvem opressões. Em relação aos protestos, cabe lembrar também, que tem circulado na internet diversos relatos de abusos sexuais; caso você presencie tal fato, registre-o e denuncie.
Em Uberaba, tivemos um aumento inesperado da passagem do transporte coletivo para R$ 2,90 (um aumento de R$ 0,30), no "apagar das luzes" do governo de Anderson Adauto. Além disso, a despeito das manifestações que ocorreram posteriormente em repúdio a tal aumento, já na gestão de Paulo Piau, não houve recuo, até o momento, na decisão tomada anteriormente. Outrossim, embora haja duas empresas concessionárias atuando no município, possuímos uma das cinco tarifas mais caras do país; também são mais que conhecidas as constantes reclamações devido à má qualidade na prestação do serviço de ônibus, sem que melhorias efetivas fossem implantadas. É justamente contra tal situação que surge o movimento em Uberaba. A Manifestação Popular contra o Aumento da Tarifa de Ônibus ocorrerá nesta sexta-feira, 21/06, com concentração a partir das 16:00, na Praça dos Correios. Para maiores informações e esclarecimentos, acompanhem pelo evento no facebook, clicando aqui. Tragam seus cartazes, e vamos construir juntxs um novo país! O Coletivo Rosa Bordô apóia essa idéia, e você?
P.S.: Embora o movimento seja pacífico, e a expectativa é que o evento ocorra sem a intervenção violenta da polícia, vale a pena ler o post do Occupy SP com orientações aos manifestantes acerca dos protestos: http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/manual-dos-indignados-tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-protestos/


Em Uberaba, assim como em tantas outras cidades do país, há tanto para se protestar! Hospitais públicos, centros de atendimento de urgência e até mesmo hospitais particulares lotados, horas de espera, falta de infraestrutura e profissionais! Transito infernal por obras infinitas, falta de segurança... Orgulho de participar dessa manifestação, não apenas reivindicando o fim da corrupção no país inteiro (Começando pela PEC 37!!) mas também por problemas locais. #VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta #acordaUberaba
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